FADAS EM TERRA BRASILEIRA

 

Rosa Maria de Carvalho Gens - UFRJ

 

 

Este é um texto de apresentação, resumindo alguns pontos da pesquisa que desenvolvo, denominada Livros infantis brasileiros – 1890-1930. Assume, assim, um aspecto descritivo, ao tentar estabelecer, de maneira condensada, contornos da história da literatura infantil em nosso país.

Escrever sobre literatura infantil, principalmente tendo como alvo a produção de cem anos atrás, pontua-se pela dificuldade. Em primeiro lugar, os livros a serem abordados quase desapareceram. Se, mesmo em relação à obra para adultos, não se apresenta uma política de conservação no país, o que dizer do livro para crianças, usado e desmanchado, e tantas vezes destinado ao lixo com o crescimento do leitor? Busca-se o livro lido, usado e manuseado, e, nas voltas da procura, nota-se que páginas desapareceram, outras foram mutiladas. Os livros para crianças não eram considerados nobres a ponto de participarem de estantes tradicionais de bibliotecas, nem se pensava em arranjá-los em espaços exclusivos para a infância. Em segundo lugar, a crítica desvalorizou as obras que inauguraram a literatura infantil brasileira, visualizando Monteiro Lobato como fundador e desprestigiando o que viera antes dele. Dessa maneira, a produção destinada à infância surgida antes da obra lobatiana, ou até mesmo paralela a ela, por vezes foi eclipsada por seu vigor. Semelhante atitude encontra-se em relação ao Modernismo, que foi eleito como centro de irradiação frente a outras estéticas, desprestigiando-as.

Que fique claro, aqui, que não se pretende provocar uma descida de valor na obra de Lobato. O caminho a ser percorrido é o do exame de algumas obras que foram relegadas ao limbo literário, paralelo à indagação sobre sua construção e seu efeito, quer estético, quer situacional.

A inflexão dada pelos primeiros autores brasileiros às suas narrativas destinadas às crianças, ao final do século XIX, ainda faz lembrar Portugal, conquanto já deixe entrever tentativas de desenhar a identidade nacional. Não se tratou, em um primeiro momento de produção literária brasileira para a infância, de revelar o Brasil, mas de formar comportamentos condizentes com o que se entendia por identidade nacional. A literatura infantil brasileira nasceu sob o signo dos contos folcóricos e sob o influxo dos contos de fadas, e marcada por uma forte intenção moralizante. Para compreender esse processo, observe-se a obra infantil de Júlia Lopes de Almeida(1862-1934). É certo que a escritora não possuía um teto todo seu, e muito menos quinhentas libras anuais de renda. No entanto, compartilhava seu teto com um escritor, o que lhe abriu portas e editoras. E permitiu, ainda, através do mecanismo do favor, que seu primeiro livro destinado a crianças, Contos Infantis, em parceria com a irmã, Adelina Lopes Vieira, fosse adotado nas escolas primárias do país. A obra, publicada em 1886, a partir de 1891 é aprovada para uso nos estabelecimentos de ensino. A valorização da instrução e da escola, na Belle-Époque, como parte de um processo de nacionalização e modernização do Brasil, justifica o procedimento.

A obra Contos Infantis, constituída por cinqüenta e oito textos, ora em prosa, de responsabilidade de Júlia Lopes de Almeida, ora em poesia, de autoria de Adelina Lopes Vieira ou traduzidos por ela, já traz no prefácio à segunda edição, assinado pelas autoras, o protocolo de leitura, que estabelece o caráter moral: “Os Contos infantis são umas narrações singelas, em que procuramos fazer sentir aos pequeninos paixões boas, levando-os com amenidade de história a história”[1] (p. 5). Assim, meninas pobres, mas honestas e dignas, pombinhos mansos, burrinhos trabalhadores e pacientes, mães carinhosas, crianças cruéis com animais, que recebem castigo, passam pelas histórias, plasmados por uma linguagem de clave bastante culta, com escolha lexical refinada. Afinal, o destinatário – a criança – deve ser alvo de enriquecimento vocabular, e não pode ser esquecido o espaço em que a leitura se daria – a escola. Observe-se, para comentário, o conto XXIII, “As duas fadas”. Nele, aprecia-se longa introdução, em que se exibem as razões por que as pessoas idosas gostam de contar histórias:

 

Sabia muitas histórias de coisas encantadas, onde brilhavam, numa cintilação esplendorosa, rainhas cobertas de brilhantes, reis em tronos de cristal iluminados por focos de luz elétrica; pajens louros, vestidos de cetim, cantando amores sob os balcões floridos; fadas cercadas nuvens; mulheres brancas, cismadoras, aéreas, que surgiam á meia noite inundadas de luar, dos perfumosos cálices das lácteas açucenas e voavam para as estrelas embalsamando o ar... (p. 101)

       

Após, chega-se ao centro da narrativa, que gira em torno de duas fadas, nascidas no mesmo dia: Beleza e Bondade, que “andam pelo mundo a espargir seus dons” e raramente se encontram. “Pisando corações numa indiferença majestosa, vive a Beleza, ouvindo todos os louvores, todos os hinos da terra; mas do céu, é à Bondade que descem os raios da estrela, e as bênçãos do Senhor!” (p. 103). A mesclagem de religiosidade e fantasia é patente, dentro da esfera do imaginário brasileiro, em procedimento constante nas narrativas do período, que se utilizam de figuras de contos populares e as impregnam de religiosidade cristã. E, acima de tudo, torna-se necessário trabalhar bons sentimentos, erigir virtudes e moldar comportamentos de novas gerações: “o que é bom é amar a humanidade mesmo sem saber ler” (p. 10).

Em outro momento, 1917, Júlia Lopes de Almeida retorna à literatura infantil, com a obra Era uma vez... A narrativa de uma princesa mesquinha, “cheia de vontades imperiosas”, de quem todos eram escravos, e que não consegue ver o mundo, traz à baila o tema do sentimento e da emoção, da aparência e da essência. A verdade do mundo será revelada à princesa por três cegos, corroborando a eficácia dos olhos da alma, e não dos reais. Os cegos, que aparentemente não vêem, trabalham com a falta de sentimento e da princesa têm compaixão. Uma fada, afinal, lhe permite enxergar, através do sonho. Enfim, o que faltava à princesa era imaginação. O narrador, dentro da arquitetura textual, traça um discurso paralelo, pleno de possibilidades: “Mas a Princesa não tinha espírito para agradecer àquele lavrador o conforto e o gozo que ele lhe dava” (...) “Se fosse humanitária, perceberia a Princesa que exatamente para cegos se devem cultivar as flores que têm aroma...” (p. 14). Assim, para Júlia Lopes de Almeida, não bastava a imaginação e a fantasia para o mundo infantil. Era necessário fechar o sentido, imprimir de forma bem clara o ensinamento, para que os leitores se convençam da eficácia. Sobretudo, a escritora acreditava na missão de educar, com a nítida firmeza de que através dela o país se desenvolveria.

No entanto, nem só do patrocínio do Estado e do endereçamento moral certeiro vive a literatura infantil entre 1890 e 1930. Inaugura-se uma linha editorial popular, que deixa entrar em seus volumes narrativas ligadas ao folclore brasileiro e orais. Tal é o caso de Figueiredo Pimentel (1869-1914), um dos mais conhecidos jornalistas ao início do século XX, responsável pela coluna “Binóculo”, na Gazeta de notícias, com o subtítulo “O Rio civiliza-se”. Considerado o criador da crônica social no Brasil, o autor permaneceu nos volumes de história da literatura brasileira fundamentalmente pela fixação desse dado e pelos contos infantis, sem ser lembrado pelos romances “condenados” que escreveu. A editora Quaresma, encarregada da publicação da maioria dos livros do escritor, tinha um perfil popular. Instalada na rua São José, em 1879, por Pedro da Silva Quaresma, condensava o forte de sua linha editorial em livros de anedotas, de superstições, de canções populares. O preço acessível caracterizava as edições, que objetivavam grandes vendas, e cada vez um número maior de leitores.

O editor encomendou a Figueiredo Pimentel uma série de livros para crianças. E parece que essa literatura de encomenda conquistou definitivamente o público infantil.O volume Contos da Carochinha, que reúne sessenta e um textos, provenientes de coletâneas européias, em sua maioria, é considerado pelos historiadores de literatura o primeiro livro brasileiro de literatura infantil. Embora a obra Contos infantis, de Adelina Vieira e Júlia Lopes, seja anterior à de Figueiredo Pimentel, parece-nos que os historiadores de literatura não aceitam a sua primazia, seja por conter muitos textos traduzidos literalmente de Luiz Ratisbonne, seja por estar diretamente endereçada ao espaço escolar.. Com os Contos da Carochinha, a história é diferente. Os reclames do livro apontam para o entretenimento e para a diversão, acenando com o deleite e o prazer. As edições sucessivas ultrapassaram os cem mil exemplares e o próprio editor Quaresma nos fornece a chave do sucesso:

 

O sr. Figueiredo Pimentel, reunindo-os, prestou relevante serviço á juventude, lendo alguns deles em francês, espanhol, italiano, alemão e inglês, colhendo outros diretamente da tradição oral, contou-os a seu modo, em linguagem fácil, estilo correntio sem termos bombásticos e rebuscados, como convém para o fim a que a obra se destina.

 

A linguagem utilizada em Contos da carochinha apresenta-se simplificada, mais próxima da criança, e demonstra escolha vocabular adequada ao universo brasileiro. Em obra posterior, Contos da avozinha, o autor solta-se ainda mais das amarras da literatura européia e fixa-se em elementos brasileiros, presentes não só nas escolha de nomes e descrições das personagens, como também na inclusão de determinadas narrativas, a exemplo de “As aventuras de Zé Galinha”:

 

José Joaquim de Sousa e Silva veio da terra e foi para Jacarepaguá, onde se estabeleceu, protegido por Manuel da Venda, seu primo.

Aí dedicou-se ao comércio de aves domésticas e ovos, que comprava em porção, enviando-os em seguida para a Praça do Mercado, e outros pontos da cidade (p. 207)

 

Linguagem e temas que se moldam à terra brasileira, como em “O macaco e o moleque’e “As aventuras de um jabuti”, entre outros contos. Figueiredo Pimentel reúne, nos três volumes de maior tiragem (Contos da Carochinha, Histórias da Baratinha, e Histórias da Avozinha) , cento e oitenta narrativas, além de publicar Teatrinho Infantil e Meus Brinquedos.

As obras da editora Quaresma vinham acompanhadas de um poderoso sistema de divulgação, constante da capa, em que se explicitava o conteúdo da obra, e das páginas iniciais e finais, em que outros volumes da editora eram anunciados. A “Biblioteca da Livraria Quaresma” apresentava o mesmo tipo de capa, o que fazia com que se tornasse conhecida do público. Enquanto objetos, tais volumes serviam de base para leitura do adulto, a fim de que contasse a história para a criança, fosse através da leitura imediata ou de uma livre adaptação. O objeto era ainda meio sem-graça, se visto por nossos olhos. .Mas trazia inovações: as ilustrações de Julião Machado já enchiam as páginas e deviam ser atrativas, visto que os volumes continuam a ser publicados até os anos cinqüenta sem modificações. No entanto, faltava ainda caminho para que A menina do narizinho arrebitado nascesse em 1922, com ilustrações coloridas de Voltolino e em formato de álbum.

Um pouco além, em 1906, surge o volume Contos Azuis, assinado por Chrysanthème, pseudônimo da escritora Cecília Bandeira de Melo Rebelo de Vasconcelos (1870-1948), filha da escritora Carmen Dolores. A obra Contos azuis concentra doze contos longos. A título de exemplo, observe-se “A fada e o girassol”, em que a trama de João e Maria é revitalizada pela possibilidade da existência de uma fada e de um apelo à natureza, por intermédio da imagem do girassol. Ao final da narrativa, aclimatada ao solo brasileiro, Luciano/João torna-se um príncipe célebre pela sua coragem e pela sua bondade, enquanto Elza/Maria, sempre loura e encantadora, desposou o gentil rei dos Nenúfares, que a adora até morrer. A fantasia solta-se por vezes dos padrões tomados de empréstimo à Europa, para deixar vislumbrar episódios do folclore brasileiro, mas o que faz a identidade das narrativas de Chrysanthème é o recurso ao lirismo, presente na criação de atmosferas vigorosas.

A escritora Carmen Dolores (Emilia Moncorvo Bandeira de Melo – 1852-1911) lança, em 1908, a obra Lendas Brasileiras; coleção de vinte e sete contos para crianças, ilustrada por Julião Machado. Aqui, o discurso é bem outro. Lendas do folclore, como “O macaco e o moleque de alcatrão”, ganham cores e vida através da escritora. A inflexão é brasileira e a agilidade da narrativa constante.

Também em 1908, João do Rio ((1888-1921) enveredou pela seara da literatura destinada às crianças, através do volume Era uma Vez..., composto em parceria com Viriato Corrêa (1884-1964). O exemplar por nós examinado, pertencente à Academia Brasileira de Letras, traz a seguinte indicação de Josué Montello: “A identificação de cada conto foi feita por Viriato Corrêa, a meu pedido – Josué Montello, 1928). Dos dezoito contos do volume, doze são de Viriato Corrêa e seis de João do Rio. Aqui, narrativas do folclore brasileiro são retomadas e modificadas, em alguns de seus atributos, através de uma linguagem mais objetivada, quando produto de Viriato Corrêa, e mais enfeitada, quando de Paulo Barreto. O livro, na edição de 1927, traz a chancela da Biblioteca Infantil da Livraria Francisco Alves, demonstrando que, pouco a pouco, começava-se a descobrir a criança como leitora e consumidora, participante de um mercado emergente.

Merece destaque, no campo infantil, a obra Histórias de Bonecos, de Benjamin Costallat. Publicada por volta de 1920 pela editora do autor, Costallat & Miccolis, apresenta um formato diferenciado, maior. Na terceira de capa anunciam-se, para breve, edições infantis, numa clara preocupação com um público nascente: “as mais lindas e coloridas histórias para crianças”. As ilustrações trabalham com cores básicas, e apresentam traços retos, simplificados. O livro traz duas narrativas. Na primeira delas, “Histórias de bonecos”, o narrador, desde o início, estabelece uma ligação com o leitor infantil: “Vocês pensam que os bonecos não têm coração?/ Pois vocês se enganam./ Os bonecos são como gente”. Nessa espécie de introdução, coloca-se o trabalho com a emoção, tônica do texto. O enredo é um fio frágil, em que uma rica e bonita senhora compra um urso e outros brinquedos, entre eles um pierrô magro, artigo de liquidação, que é estraçalhado. A moral é certa: para os ricos, nada dura. A segunda história centra-se nas personagens Muff e Jeff, que fogem da fita de cinema e passeiam pelo Rio de Janeiro, arrematando: “...e de que a gente deve sempre estar satisfeito com a própria sorte, mesmo sendo um simples boneco”. Em um mundo separado do real, mas que com ele mantém estreitos laços, passeiam bonecos e desenhos das fitas de cinema, em traços esquemáticos. Afinal, não basta ser escolhido pela “bela senhora”, do automóvel com chauffeur, quando se é remanescente de liquidação.

O mundo da fantasia, em Benjamin Costallat, reproduz a organização do da realidade, deixando-se penetrar por seus referentes. Transmite-se, assim, o crivo ideológico que irá dominar a literatura infantil durante muito tempo.         Claras ficam, mais uma vez, as marcas de uma literatura moralizante, que visa a fornecer à criança um verdadeiro código para comportar-se de maneira adequada na vida.

As obras aqui comentadas permitem observar que, embora predominassem os modelos europeus, existia um processo de aclimatação. Os temas escolhidos se afinam com narrativas orais de nosso país, e o discurso utilizado vai cada vez mais se abrasileirando. Da simples tradução de contos europeus, passa-se à adaptação das histórias e ao registro e configuração literária de narrativas oralizadas.

Por outro lado, verifica-se que a pedagogia é forte nos textos abordados. Ainda hoje o caminho didático é constante nos livros destinados à infância, como se fosse impossível deixar de lado, na leitura, o edificante. E nota-se, também, que a faixa temporal aqui situada, com suas características de nacionalização e, ao mesmo tempo, de modernização da sociedade, pontua de maneira forte as condutas morais. O processo de higienização das cidades e da sociedade brasileira, forte ao final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, encontra na literatura destinada às crianças um aliado de peso.

Nos textos edificantes de Júlia Lopes de Almeida, nas adaptações e transcrições de Figueiredo Pimentel, nas histórias de Viriato Corrêa e João do Rio, nas obras de Benjamin Costallat e Chrysanthème, nas lendas e Carmen Dolores, expõe-se o processo de tentar mostrar o país, em temas e em linguagem, embora ainda com um certo pudor e hesitação. E que tem lugar em outras narrativas que precederam a era Lobato e prossegue em nossos dias, em Ana Maria Machado e Ligia Bojunga, entre outros. Com fadas ou sem elas. Brasileiramente.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

ALMEIDA, Júlia Lopes de. Era uma vez... Rio de Janeiro: Jacinto Ribeiro dos Santos: 1917.

CORREA, Viriato & RIO João do. Era uma vez...Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1927.

COSTALLAT, Benjamin. História de bonecos. Rio de Janeiro: B.Costallat & Miccolis [s/d].

CHRYSANTHÈME. Contos azuis. Rio de Janeiro: Pongetti, 1936.

DOLORES, Carmen. Lendas brasileiras; coleção de 27 contos para crianças. Rio de Janeiro: Gomes Pereira, 1914. 2. ed.

PIMENTEL, Figueiredo. Contos da carochinha. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Garnier, 1992.

_____. Histórias da avozinha. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Garnier, 1984.

_____. Histórias da baratinha. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Garnier, 1994.

SANDRONI, Laura C. A literatura infantil no Brasil de 1900 a 1910. In: COSTA, Luís A. Severo et al. Brasil 1900-1910. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1980.

VIEIRA, Adelina Lopes & ALMEIDA, Júlia Lopes de. Contos infantis; em verso e prosa. 17 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, Paulo de Azevedo, 1927.

ZILBERMAN, Regina. Começos da literatura para crianças no Brasil. In: ___. PAULINO, Graça (org.) O jogo do livro didático. Belo Horizonte: Dimensão, 1997. p. 127-144.



[1] Os exemplos das narrativas fazem parte das obras referenciadas ao final do ensaio.